Tudo o que você precisa saber sobre PARADA CARDIORRESPIRATÓRIA NAS CRIANÇAS

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A parada cardiorrespiratória (PCR) acomete aproximadamente 200 mil brasileiros a cada ano. Cerca de metade dos casos ocorre fora de ambiente hospitalar. A causa mais comum em bebês e crianças ocorre por asfixia – diferente dos adultos ocasionada de forma mais frequente por alterações no funcionamento do coração.

Independente da origem, a parada cardiorrespiratória cursa com desfechos desfavoráveis à saúde e com altas taxas de mortalidade. A morte por parada cardíaca pode ocorrer minutos após o início dos sintomas. De acordo com a American Heart Association (AHA), apenas 10% do total de pacientes acometidos com o quadro de parada cardiorrespiratória sobrevivem a estes eventos fora do ambiente hospitalar.

Nesse contexto, o conhecimento sobre suporte básico de vida por pessoas treinadas – da área da saúde ou não – pode salvar vidas, tendo em vista que a assistência rápida a esses pacientes está associada à maior sobrevida.

Suporte Básico de Vida

O Suporte Básico de Vida tem um como objetivo central manter a circulação corpórea por meio de condutas rápidas e direcionadas à faixa etária do paciente até o atendimento médico especializado chegar ao local. Como já citado, pode ser realizado por qualquer indivíduo treinado.

Os protocolos de ação para o público infantil incluem vários detalhes e etapas que, por sua vez, demandam a presença de mais de um socorrista para a cena mesmo diante da sequência de primeiros socorros ser semelhante à de adultos.

Passo a passo do Suporte Básico de Vida para crianças

  • Segurança da cena

Antes de estabelecer qualquer assistência ao indivíduo, é indispensável que o socorrista se coloque em segurança e a seguir proteja o local no intuito de evitar o aumento do número de vítimas.

Antes de iniciar o atendimento, portanto, o ambiente deve ser analisado quanto a presença de riscos à saúde das pessoas no local (trânsito, vazamento de gás ou óleo, fios elétricos, incêndios, agressores presentes etc).

Lembre-se dos mandamentos do socorrista e que socorrista não é herói.

  • Resposta da vítima a estímulos

Com a cena segura para atendimento, o socorrista deve checar a responsividade da vítima. Esta conduta deve ser executada da seguinte maneira: o socorrista posiciona suas mãos nos ombros da vítima e, por meio de chamados em voz alta “Está tudo bem? Está me ouvindo?”, é verificado a responsividade da criança. Se souber seu nome, pode incluir nos chamados citados anteriormente. O posicionamento seria outro fator importante para a boa técnica: uma das pernas deve estar com pé no chão e a outra, paralelamente, deve estar flexionada no intuito de o socorrista ter a possibilidade de se proteger em casos de a vítima se movimentar abruptamente de modo consciente. Caso não haja resposta nem movimento, considere que a vítima esteja irresponsiva. Os critérios para identificar a parada cardíaca são os mesmos do adulto.

  • Chamada do SAMU ou BOMBEIROS

Grite por ajuda para outras pessoas poderem auxiliar na situação. Em caso de um segundo socorrista chegar, pode-se chamar por ajuda aos serviços de emergência enquanto se atende a vítima. De acordo com recomendações da American Heart Association, a avaliação da parada cardiorrespiratória deve ser realizada após a chamada do SAMU, dos BOMBEIROS ou de qualquer serviço de emergência privado.

Isso quer dizer que, após a manobra citada acima na etapa 2, quando não houver resposta, o serviço de urgência deve ser acionado imediatamente. Para saber melhor como solicitar a ajuda, confira os artigos como chamar ajuda do SAMU e como chamar ajuda dos BOMBEIROS.

Em seguida, as avaliações das vias aéreas, da respiração e do pulso devem ser realizadas prosseguindo com o suporte.

  • Ressuscitação cardiopulmonar

Após cumprimento das etapas anteriores, o socorrista deve identificar a parada cardiorrespiratória quando não houver respiração. As ventilações, para as vítimas pediátricas, apresentam-se com ainda mais importância do que nos adultos sem, contudo, comprovação científica de que a manobra deve ser preterida na ordem de execução em relação à massagem cardíaca. Nesse contexto, indica-se a mesma sequência massagem cardíaca, abordagem das vias aéreas e ventilação pulmonar (“CAB”) para tornar a execução do Suporte Básico de Vida mais fácil e com melhor aprendizado pelo socorrista.

Durante os primeiros minutos de uma parada cardiorrespiratória, a pressão de oxigênio no sangue “parado” permanece a mesma até que as manobras de ressuscitação sejam iniciadas. Assim, na fase inicial das condutas, ainda, o sangue se mantém oxigenado para o paciente. Nesse contexto, as compressões torácicas devem ser iniciadas imediatamente em caso de emergência.

As outras condutas devem ser executadas a seguir e em caso de outras pessoas estarem disponíveis para auxiliar na assistência, tendo em vista que o posicionamento da cabeça e preparo bem como o início da ventilação pulmonar demanda um precioso tempo – devendo essas etapas serem realizadas em segundo momento no intuito de tentar aumentar a sobrevida do coração e dos demais órgãos. Diante da identificação de uma parada cardiorrespiratória, portanto, sugere-se que as manobras de ressuscitação cardiopulmonar sejam executadas.

Note que, se o socorrista for um profissional de saúde, aconselha-se que a respiração e o pulso carotídeo sejam checados durante 10 segundos para serem instituídas as compressões mediante necessidade da vítima, sabendo que, nas crianças, a ausência de pulso ou frequência cardíaca menor do que 60 batimentos por minuto já seriam indicações de início das manobras. Para o socorrista leigo, portanto, não está indicado a palpação do pulso como condição para iniciar os procedimentos de resgate à vida.

“C-A-B” da Vida
1º: C -> Compressões torácicas
2º: A -> Abertura de vias aéreas
3º: B -> Ventilação pulmonar e respiração

Caberia ressaltar algumas recomendações específicas para o público pediátrico. Nas crianças afetadas, sinais de alteração da cor da pele para tons azulados e palidez também indicam o início das compressões torácicas. Se o socorrista estiver sozinho, ele deve realizar no mínimo dois minutos de manobras de ressuscitação cardiopulmonar (equivalentes a aproximadamente 5 ciclos) antes de contactar o serviço de urgência. Em seguida será melhor abordado todo o passo a passo de cada uma das manobras.

Sugere-se, ainda, que a criança que estiver apenas desacordada e respirando deve ser colocada de lado para aumentar a perviedade das vias aéreas e diminuir o risco de passagem de conteúdo do estômago para os pulmões (broncoaspiração).

Compressões torácicas

As compressões torácicas são manobras com objetivo de reestabelecer o fluxo sanguíneo do coração para os tecidos – interrupção causada pela parada cardiorrespiratória. Inicialmente, a vítima necessita estar apoiada em superfície rígida para sucesso das condutas. O socorrista, por sua vez, deve ficar perpendicular aos braços e tronco da vítima, formando um grau de 90º. Para isso, pode ficar ajoelhado no chão.

Diferentemente dos adultos, em bebês de até 1 ano as compressões são realizadas com uso de dois dedos de uma das mãos. Outra opção seria o uso dos dois polegares – desde que estejam presentes dois ou mais socorristas. O posicionamento deve ser sobre o osso central do tórax (esterno) imediatamente abaixo da linha entre os mamilos.

Para crianças a partir de 1 ano até 10 anos está indicado o uso de uma das mãos. Dependendo do tamanho das vítimas podem ser usadas as duas mãos em conjunto igual às compressões nos adultos – evitando nesses casos, apenas, o uso de força excessiva pelo alto risco de trauma.

A seguir, após o posicionamento, comprime-se o tórax do paciente no intuito de gerar aproximadamente 5 cm de profundidade por compressão. Atente-se que, para a compressão ser efetiva, o retorno total do tórax deve ser permitido ao final da manobra. O ritmo de compressões deve ser de 100 a 120 por minuto para a manobra ser eficaz.

Reforça-se que, para os socorristas não treinados para análise de vias aéreas e ventilação, somente essa etapa do Suporte Básico de Vida em situações de parada cardiorrespiratória deve realizada até a chegada do serviço especializado.

Abertura de vias aéreas

Para socorristas leigos capacitados perante uma situação de parada cardiorrespiratória, é possível a realização das compressões torácicas e das ventilações pulmonares desde hajam mais pessoas para prestar a assistência e também saibam as manobras. No entanto, antes de ventilar as vias aéreas, deve-se posicioná-las adequadamente e, nesse contexto, desobstruí-las para permitir a passagem de ar.

A abertura das vias aéreas nos bebês e nas crianças está indicada com uso da manobra de tração anterior da mandíbula após as 30 compressões iniciais.

Caso haja suspeita ou evidência de lesão na coluna cervical da vítima, não se aconselha para o socorrista leigo a movimentação a região.

Ventilação adequada

Após início das compressões e desobstrução das vias aéreas, a manobra de ventilação pulmonar pode ser instituída. Para sua realização, o socorrista deve se posicionar atrás da cabeça do paciente, se inclinar sobre ela e abrir as vias aéreas. Deve-se comprimir as narinas com a mesma mão que se traciona a testa para trás com a abertura da boca em paralelo pela outra mão que se encontra elevando o queixo. Posteriormente, deve inspirar normalmente e colocar os lábios ao redor da boca da vítima, vedando-a totalmente. Se realizam, em seguida, duas respirações com expiração profunda e lenta com ritmo “natural de respiração” para evitar lesões nos pulmões da vítima, permitir um adequado retorno de sangue para o coração retomar as suas funções e prevenir outras complicações. De fato, a manobra é muito semelhante nos adultos – o que difere é o reduzido volume de ar necessário em cada exalação, que deve ser respeitado em relação ao tamanho da criança.

Portanto, a manobra requer duração de um segundo para inspiração e dois segundos para expiração. Enquanto se realiza respiração, deve-se verificar se o tórax se movimenta para avaliar a efetividade.

Uma observação importante na ventilação para bebês seria que o socorrista deve acoplar sua boca à face da vítima incluindo não só sua boca, mas também suas narinas. O volume de ar, a seguir, deve ser também reduzido ao tamanho dos bebês (semelhante ao volume necessário para encher uma das bochechas). Se a manobra não for bem sucedida, pode-se instituir a ventilação semelhante à citada acima para adultos e crianças maiores.

Para evitar um contato direto com a boca de vítimas conhecidas ou não, alguns utensílios específicos podem ser utilizados como mecanismos de barreira para a realização da ventilação.

Para o socorrista sozinho, o ciclo de compressões e ventilações deve respeitar a proporção 30 para 2, ou seja, para cada 30 compressões, se realizam 2 ventilações. Em caso de dois socorristas estarem presentes na assistência, a relação pode ser de 15 para 2 em cada ciclo. Antes de acionar o Serviço Médico de Emergência e buscar um DEA 5 ciclos devem ser completos.

Os ciclos, ainda, devem ser mantidos até a vítima retomar a consciência, até a chegada do desfibrilador externo automático, até a chegada do serviço de emergência especializado ou até a exaustão do(s) socorrista(s).

Desfibrilação

Durante a parada cardiorrespiratória a desfibrilação da vítima é um dos fatores mais importantes na reversão do quadro e reestabelecimento da circulação espontânea. Essa conduta deve ser instituída assim que houver um desfibrilador disponível no local. Note que a Legislação Brasileira prevê a presença desse aparelho no modelo automático para leigos (Desfibrilador Externo Automático – DEA) em locais de ensino e de aglomeração de pessoas. Se realizada nos primeiros minutos de parada cardiorrespiratória – mais precisamente nos 3 a 5 minutos iniciais – há maior evidência de sobrevivência das vítimas.

Em casos que a criança entra em parada cardiorrespiratória suspeita-se de que seja causada por alterações da condução elétrica do coração chamadas de fibrilação ventricular ou taquicardia ventricular sem pulso (definidos como ritmos chocáveis). Nesses casos, ela necessita de manobras de ressuscitação cardiorrespiratória imediatas no passo a passo citado acima e rápida desfibrilação. Para a desfibrilação, o desfibrilador externo automático pode ser utilizado – sendo preteridos, nesses casos, os que possuem função pediátrica. Nessas situações, se o choque não for rapidamente executado, o ritmo cardíaco citado pode evoluir com parada total da condução elétrica do coração – chamada de assistolia – ou com atividade elétrica sem pulso (AESP). Pela capacidade do choque reorganizar a condução elétrica cardíaca, nesse contexto, a desfibrilação precoce torna-se essencial para evitar esses piores desfechos. Se o paciente, no entanto, já surgir ou evoluir com os ritmos chamados de não chocáveis (assistolia e AESP), a desfibrilação não é conduta indicada e os ciclos de ressuscitação cardiorrespiratória devem ser retomados até a chegada do atendimento especializado.

O reconhecimento dos ritmos elétricos cardíacos, contudo, não é possível pela grande maioria dos socorristas leigos treinados. A presença do desfibrilador externo automático, por sua vez, é capaz de auxiliar nessas situações e pode ser utilizado por qualquer pessoa – possuindo, inclusive, orientação sobre o passo a passo de seu uso. O aparelho, desse modo, é capaz de identificar o ritmo cardíaco da vítima e, quando indicado, aplica o choque na tentativa de reverter a parada cardiorrespiratória identificada. Nos intervalos entre os choques (quando houver) e quando o choque não for indicado, será solicitada a execução das manobras de ressuscitação cardiopulmonar.

Lembre-se que as compressões não devem ser interrompidas. Portanto, o socorrista deve solicitar alguém busque o desfibrilador para não parar com as compressões.

Quando parar as manobras durante a parada cardiorrespiratória?

No ambiente pré-hospitalar, as manobras de ressuscitação durante a parada cardiorrespiratória não devem ser interrompidas.

A condições de exceção seriam somente as listadas abaixo:

  • situações que o desfibrilador externo automático estiver analisando o paciente e/ou aplicando o choque;
  • retomada de consciência pela vítima;
  • chegada do serviço de emergência especializado chegar;
  • exaustão do(s) socorrista(s).

Note que, como já citado anteriormente, a etapa mais importante é a de compressões cardíacas sendo ela a preterida em relação as demais.

Como se prevenir de uma parada cardiorrespiratória?

A sobrevivência após uma parada cardiorrespiratória traumática é rara. Sabe-se que em crianças maiores de 1 ano o trauma se configura como a principal causa de morte – destacando os acidentes domésticos e de trânsito. Deve-se, portanto, investir em prevenção de acidentes – principalmente automobilísticos.  A redução dessas mortes é possível através de medidas simples como a Lei Seca e o uso de cadeirinhas especiais para crianças nos carros.

Curiosidades

Alguns estudos científicos indicam que os primeiros socorros oferecidos por socorristas leigos sem ventilação apresentam desfechos semelhantes àqueles que foram executados com a técnica completa. O nervosismo do socorrista, por sua vez, se configura como um dos maiores desafios da cena de acidente. Por isso, destaca-se tanto a importância de se manter a calma. Indica-se, além disso, o foco nas compressões cardíacas em situações de parada cardiorrespiratória para evitar erros ou dúvidas.

Em situações de paradas prolongadas, em contrapartida, tanto as ventilações quanto as massagens cardíacas são necessárias, porque o oxigênio do sangue vai sendo consumido até que se torna insuficiente para os tecidos.

Outras situações que a ventilação deve ser instituída desde o início das manobras seriam em casos com crianças vítimas de parada cardíaca e com vítimas de parada cardíaca de origem não-cardíaca – como engasgo, trauma, afogamento. Tal fato se deve à importância da reoxigenação nessas situações, tendo em vista que as vítimas já tendem a estar com pouco oxigênio no sangue.

Para saber mais sobre parada cardiorrespiratória nas crianças, acesse os artigos sobre:

TROTE É CRIME

De acordo com o artigo nº 340 do Código Penal, a falsa comunicação de crime ou de contravenção está sujeita a detenção de um a seis meses ou multa. Portanto, não ligue para os serviços de emergência por “brincadeiras” ou com informações mentirosas.

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