Tudo o que você precisa saber sobre PARADA CARDIORRESPIRATÓRIA NOS ADULTOS

blog beSafe

A parada cardiorrespiratória (PCR) acomete aproximadamente 200 mil brasileiros a cada ano. Cerca de metade dos casos ocorre fora de ambiente hospitalar. Apresenta diversas causas destacando-se, nesses casos, a síndrome coronariana aguda – mais comuns no sexo masculino, na idade avançada e em indivíduos obesos, etilistas, tabagistas e com diabetes, hipertensão e estresse elevado no dia a dia. Essa causa cursa, em boa parcela das ocasiões, com dor no peito – no entanto, esse sintoma não é exclusivo do coração.

Outras causas comuns de parada respiratória seriam trauma, choque elétrico, engasgo e afogamento.

Independente da origem, a parada cardiorrespiratória cursa com desfechos desfavoráveis à saúde e com altas taxas de mortalidade. A morte por parada cardíaca pode ocorrer minutos após o início dos sintomas. De acordo com a American Heart Association (AHA), apenas 10% do total de pacientes acometidos com o quadro de parada cardiorrespiratória sobrevivem a estes eventos fora do ambiente hospitalar.

Nesse contexto, o conhecimento sobre suporte básico de vida por pessoas treinadas – da área da saúde ou não – pode salvar vidas, tendo em vista que a assistência rápida a esses pacientes está associada à maior sobrevida.

Suporte Básico de Vida

O Suporte Básico de Vida tem um como objetivo central manter a circulação corpórea por meio de condutas rápidas e direcionadas à faixa etária do paciente até o atendimento médico especializado chegar ao local. Como já citado, pode ser realizado por qualquer indivíduo treinado.

Passo a passo do Suporte Básico de Vida

  • Segurança da cena

Antes de estabelecer qualquer assistência ao indivíduo, é indispensável que o socorrista se coloque em segurança e a seguir proteja o local no intuito de evitar o aumento do número de vítimas.

Antes de iniciar o atendimento, portanto, o ambiente deve ser analisado quanto a presença de riscos à saúde das pessoas no local (trânsito, vazamento de gás ou óleo, fios elétricos, incêndios, agressores presentes etc).

Lembre-se dos mandamentos do socorrista e que socorrista não é herói.

  • Resposta da vítima a estímulos

Com a cena segura para atendimento, o socorrista deve checar a responsividade da vítima. Esta conduta deve ser executada da seguinte maneira: o socorrista posiciona suas mãos nos ombros da vítima e, por meio de chamados em voz alta “Senhor(a)! Senhor(a)! Consegue me ouvir?”, é verificado a responsividade do acidentado. O posicionamento seria outro fator importante para a boa técnica: uma das pernas deve estar com pé no chão e a outra, paralelamente, deve estar flexionada no intuito de o socorrista ter a possibilidade de se proteger em casos de a vítima se movimentar abruptamente de modo consciente.

  • Chamada do SAMU ou BOMBEIROS

De acordo com recomendações da American Heart Association, a avaliação da parada cardiorrespiratória deve ser realizada após a chamada do SAMU, dos BOMBEIROS ou de qualquer serviço de emergência privado. Isso quer dizer que, após a manobra citada acima na etapa 2, quando não houver resposta, o serviço de urgência deve ser acionado imediatamente. Para saber melhor como solicitar a ajuda, confira os artigos como chamar ajuda do SAMU e como chamar ajuda dos BOMBEIROS.

Em seguida, as avaliações das vias aéreas, da respiração e do pulso devem ser realizadas prosseguindo com o suporte.

  • Ressuscitação cardiopulmonar

Após cumprimento das etapas anteriores, o socorrista deve identificar a parada cardiorrespiratória quando não houver respiração. A American Heart Association recomenda no Suporte Básico de Vida que se priorize a circulação adequada de sangue para os órgãos vitais. Durante os primeiros minutos de uma parada cardiorrespiratória, a pressão de oxigênio no sangue “parado” permanece a mesma até que as manobras de ressuscitação sejam iniciadas. Assim, na fase inicial das condutas, ainda, o sangue se mantém oxigenado para o paciente. Nesse contexto, as compressões torácicas devem ser iniciadas imediatamente em caso de emergência.

As outras condutas devem ser executadas a seguir e em caso de outras pessoas estarem disponíveis para auxiliar na assistência, tendo em vista que o posicionamento da cabeça e preparo bem como o início da ventilação pulmonar demanda um precioso tempo – devendo essas etapas serem realizadas em segundo momento no intuito de tentar aumentar a sobrevida do coração e dos demais órgãos. Diante da identificação de uma parada cardiorrespiratória, portanto, sugere-se que as manobras de ressuscitação cardiopulmonar sejam executadas.

Note que, se o socorrista for um profissional de saúde, aconselha-se que a respiração e o pulso carotídeo sejam checados durante 10 segundos para serem instituídas as compressões mediante necessidade da vítima.

“C-A-B” da Vida
1º: C -> Compressões torácicas
2º: A -> Abertura de vias aéreas
3º: B -> Ventilação pulmonar e respiração

Compressões torácicas

As compressões torácicas são manobras com objetivo de reestabelecer o fluxo sanguíneo do coração para os tecidos – interrupção causada pela parada cardiorrespiratória. Inicialmente, a vítima necessita estar apoiada em superfície rígida para sucesso das condutas. O socorrista, por sua vez, deve ficar perpendicular aos braços e tronco da vítima, formando um grau de 90º. Para isso, pode ficar ajoelhado no chão. Em seguida, as mãos devem ser posicionadas uma sob a outra. A mão posicionada abaixo – por meio da região hipotênar ou parte “dura da palma das mãos” – deve ser alocada sobre a osso central do tórax – o esterno – na linha entre os mamilos.

A seguir, comprime-se o tórax do paciente no intuito de gerar de 5 a 6 cm de profundidade por compressão. Atente-se que, para a compressão ser efetiva, o retorno total do tórax deve ser permitido ao final da manobra. Durante toda a manobra, os braços do socorrista devem ficar também em posição perpendicular ao tórax do paciente, conforme figura ilustrativa abaixo, bem como os cotovelos sempre esticados. O ritmo de compressões deve ser de 100 a 120 por minuto para a manobra ser eficaz. O movimento é melhor executado e tolerado por mais tempo quando se usa toda a força do corpo do socorrista de modo a somente transmiti-la aos braços.

Reforça-se que, para os socorristas não treinados para análise de vias aéreas e ventilação, somente essa etapa do Suporte Básico de Vida em situações de parada cardiorrespiratória deve realizada até a chegada do serviço especializado.

Abertura de vias aéreas

Para socorristas leigos capacitados perante uma situação de parada cardiorrespiratória, é possível a realização das compressões torácicas e das ventilações pulmonares desde hajam mais pessoas para prestar a assistência e também saibam as manobras. No entanto, antes de ventilar as vias aéreas, deve-se posicioná-las adequadamente e, nesse contexto, desobstruí-las para permitir a passagem de ar.

Assim, para realização da abertura das vias aéreas apoia-se uma das mãos na testa da vítima – tracionando-a levemente para trás – enquanto por meio dos dedos da outra mão a mandíbula é elevada. Essa manobra é chamada, a partir da tradução do inglês, de posição olfativa.

Caso haja suspeita ou evidência de lesão na coluna cervical da vítima, não se aconselha para o socorrista leigo a movimentação a região.

Ventilação adequada

Após início das compressões e desobstrução das vias aéreas, a manobra de ventilação pulmonar pode ser instituída. Para sua realização, o socorrista deve se posicionar atrás da cabeça do paciente, se inclinar sobre ela e abrir as vias aéreas. Deve-se comprimir as narinas com a mesma mão que se traciona a testa para trás com a abertura da boca em paralelo pela outra mão que se encontra elevando o queixo. Posteriormente, deve inspirar normalmente e colocar os lábios ao redor da boca da vítima, vedando-a totalmente. Se realizam, em seguida, duas respirações com expiração profunda e lenta com ritmo “natural de respiração” para evitar lesões nos pulmões da vítima, permitir um adequado retorno de sangue para o coração retomar as suas funções e prevenir outras complicações.

Portanto, a manobra requer duração de um segundo para inspiração e dois segundos para expiração. Enquanto se realiza respiração, deve-se verificar se o tórax se movimenta para avaliar a efetividade.

Para evitar um contato direto com a boca de vítimas conhecidas ou não, alguns utensílios podem ser utilizados como mecanismos de barreira para a realização da ventilação.

O ciclo de compressões e ventilações deve respeitar a proporção 30 para 2, ou seja, para cada 30 compressões, se realizam 2 ventilações. Os ciclos, ainda, devem ser mantidos até a vítima retomar a consciência, até a chegada do desfibrilador externo automático, até a chegada do serviço de emergência especializado ou até a exaustão do(s) socorrista(s).

Desfibrilação

Durante a parada cardiorrespiratória a desfibrilação da vítima é um dos fatores mais importantes na reversão do quadro e reestabelecimento da circulação espontânea. Essa conduta deve ser instituída assim que houver um desfibrilador disponível no local. Note que a Legislação Brasileira prevê a presença desse aparelho no modelo automático para leigos (Desfibrilador Externo Automático – DEA) em locais de ensino e de aglomeração de pessoas. Se realizada nos primeiros minutos de parada cardiorrespiratória – mais precisamente nos 3 a 5 minutos iniciais – há maior evidência de sobrevivência das vítimas.

Na maior parcela dos casos, há evolução do ritmo cardíaco das vítimas em parada cardiorrespiratória para fibrilação ventricular – situação que toda o “sistema elétrico” do coração fica desordenado. Nessa perspectiva, os batimentos do coração tornam-se ineficientes – impedindo o envio adequado de sangue para os outros órgãos. Nesses casos, se o choque não for rapidamente executado, o ritmo cardíaco citado pode evoluir com parada total da condução elétrica do coração – chamada de assistolia – ou com atividade elétrica sem pulso (AESP). Pela capacidade do choque reorganizar a condução elétrica cardíaca, nesse contexto, a desfibrilação precoce torna-se essencial para evitar esses piores desfechos. Se o paciente, no entanto, já surgir ou evoluir com os ritmos chamados de não chocáveis (assistolia e AESP), a desfibrilação não é conduta indicada e os ciclos de ressuscitação cardiorrespiratória devem ser retomados até a chegada do atendimento especializado.

O reconhecimento dos ritmos elétricos cardíacos, contudo, não é possível pela grande maioria dos socorristas leigos treinados. A presença do desfibrilador externo automático, por sua vez, é capaz de auxiliar nessas situações e pode ser utilizado por qualquer pessoa – possuindo, inclusive, orientação sobre o passo a passo de seu uso. O aparelho, desse modo, é capaz de identificar o ritmo cardíaco da vítima e, quando indicado, aplica o choque na tentativa de reverter a parada cardiorrespiratória identificada. Nos intervalos entre os choques (quando houver) e quando o choque não for indicado, será solicitada a execução das manobras de ressuscitação cardiopulmonar.

Lembre-se que as compressões não devem ser interrompidas. Portanto, o socorrista deve solicitar alguém busque o desfibrilador para não parar com as compressões.

Quando parar as manobras durante a Parada Cardiorrespiratória?

No ambiente pré-hospitalar, as manobras de ressuscitação durante a parada cardiorrespiratória não devem ser interrompidas.

A condições de exceção seriam somente as listadas abaixo:
– Situações que o DEA estiver analisando o paciente e/ou aplicando o choque;
– Retomada de consciência pela vítima;
– Chegada do serviço de emergência especializado;
– Exaustão do(s) socorrista(s).

Note que, como já citado anteriormente, a etapa mais importante é a de compressões cardíacas sendo ela a preterida em relação as demais.

Para saber mais sobre parada cardiorrespiratória nos adultos, acesse os artigos sobre:

TROTE É CRIME

De acordo com o artigo nº 340 do Código Penal, a falsa comunicação de crime ou de contravenção está sujeita a detenção de um a seis meses ou multa. Portanto, não ligue para os serviços de emergência por “brincadeiras” ou com informações mentirosas.

DESEJA APRIMORAR A CHAMADA DE AJUDA EM PARADAS CARDIORRESPIRATÓRIAS?

Clique aqui para baixar grátis o app beSafe – um aplicativo que oferece mais proteção a você e a sua família e te aproxima do atendimento do SAMU, dos BOMBEIROS e da POLÍCIA em casos de situações de emergência com possibilidade de chamar seus contatos de emergência ao mesmo tempo de maneira automática.

Se for do seu interesse, faça o curso de primeiros socorros da beSafe com equipe médica com ampla experiência e autoridade nacional no assunto.

bESAFE HEALTH&EDTECH © 2021
TODOS OS DIREITOS RESERVADOS.